Cerca de 42% dos brasileiros que têm alguma conta em atraso no Cadastro Positivo estão superendividados

13 de maio de 2022
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Consultoria de inteligência de dados da Quod criou quatro perfis de consumidores para as empresas avaliarem, com maior precisão e eficiência, os riscos de crédito

 

O último relatório do Banco Central mostra que a inadimplência da carteira de crédito do sistema financeiro atingiu 2,5% em janeiro, alta mensal de 0,2 ponto percentual e de 0,4 ponto percentual na comparação interanual. O aumento reflete uma tendência que já vinha se intensificando desde o ano passado, quando o nível de endividamento médio das famílias brasileiras atingiu 70,9%, o maior registrado nos últimos 11 anos, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

 

Para ajudar a entender as singularidades dos endividados do país, a Quod, uma das maiores empresas de inteligência de dados do Brasil, uma das gestoras do Cadastro Positivo e parceira da FCDL-RS, criou quatro perfis de consumidores dentre aqueles que possuem alguma dívida em atraso, tendo como base o comportamento de pagamento e também visão de atraso: superendividado, endividado, desorganizado e o redimindo. 

 

O objetivo do estudo é fornecer às empresas uma ferramenta para avaliação, com maior precisão e eficiência, dos riscos de crédito, ou seja, da capacidade do tomador de crédito de cumprir as obrigações de pagamento. As empresas também podem usar essas informações para traçar estratégias, corrigir rotas e identificar os perfis onde tem maior atuação, entre outros itens.

 

De acordo com o levantamento da Quod, 42% dos brasileiros com pagamentos em atraso no Cadastro Positivo se encaixam na categoria de superendividados, consumidores cujas dívidas atrasadas estão fora de controle e parcelas em atraso bastante acima da média. Essa categoria se caracteriza por consumidores que têm várias dívidas relevantes em aberto há bastante tempo e com pouca chance de reverter a situação. Em seguida, estão os consumidores classificados como endividados, que perfazem 13% da população com pagamentos em atraso no Cadastro Positivo. Esse consumidor, cujas dívidas atrasadas estão no limite do controle, tem dívida relevante em aberto há relativamente pouco tempo, mas ainda tem caminhos para saldar os pagamentos atrasados.

 

Entre os perfis descritos pela Quod existe um tipo de consumidor que mais paga em dia do que atrasa, mas que, no entanto, tem atrasos relevantes e entra e sai da inadimplência. Trata-se do desorganizado, que representa 21% da população que possui conta em atraso no Cadastro Positivo. O período de atraso no pagamento de parcelas desse perfil de cliente, medido em dias, no entanto, é menor que a média. Isso significa uma possibilidade de recuperação de crédito bem acima da média.

 

Por fim, há o consumidor que a Quod classifica como redimindo, aquele que tem dívidas em atraso e está se esforçando para renegociar e quitar as pendências. Essa faixa representa hoje 24% da população com pagamentos atrasados no Cadastro Positivo. Embora esse percentual de parcelas pagas em dia seja bem acima da média — até maior que o desorganizado — o período para pagamento de parcelas em atraso, medido em dias, é maior que a média, devido à renegociação das dívidas.

 

De acordo com Ricardo Thomaziello, Chief Data Officer da Quod, vale lembrar que cada consumidor possui uma combinação desses perfis, embora um deles sempre predomine. Ele observa que, embora em 2021 o PIB tenha crescido 4,6%, puxado pelos serviços e pela indústria, segmentos fortemente dependentes da demanda interna e por conseguinte do crédito e da renda, houve um aumento do endividamento das famílias, atingindo o pico histórico em 24 meses.

 

Segundo ele, diante nesse cenário, a concessão de crédito precisa mais do que nunca de uma análise minuciosa e abrangente. A simples constatação de que de um consumidor não tem dívidas em atraso, o famoso nada consta, pode levar a uma análise de crédito viciada e levar o empresário a dar crédito para um cliente já muito endividado, com o nome eventualmente sem restrições, mas com a renda amplamente comprometida pelas renegociações de dívidas atrasadas, salienta Thomaziello. “O contrário também é verdadeiro. É possível ofertar crédito e expandir os negócios em tempos desafiadores com alguma segurança, desde que se entenda em profundidade o perfil de dívida do consumidor e, principalmente, qual é a tendência de pagar nos próximos meses ou se tem potencial de recuperação de crédito”, finaliza.

 

 

 

 

 

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