Carta Aberta ao Governador do Estado do Rio Grande do Sul

26 de fevereiro de 2021
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Palavra do Presidente

 

Exmo. Sr.

Eduardo Leite

Governador do Rio Grande do Sul

 

Senhor Governador,

 

Uma das maiores vantagens da democracia é exatamente o respeito às opiniões divergentes.

 

Dentro deste conceito, mesmo o governante mais bem intencionado tem a possibilidade de ser confrontado com seus eventuais equívocos e assim evitar situações de grande dano para a sociedade.

 

Falamos isto para alertar a Vossa Excelência que o temor existente na mente de qualquer gaúcho responsável, causado pelo recente e calamitoso avanço da pandemia do Novo Coronavírus, não deve chegar ao ponto exacerbado da adoção de decisões demasiadamente autoritárias, que venham a ignorar opiniões também bem intencionadas, contudo divergentes.

 

Apelamos ao vosso bom senso, no sentido de reverter a suspensão do sistema de cogestão com os prefeitos municipais para a administração da epidemia em foco.

 

Os lojistas de todo o Rio Grande do Sul, aprenderam na prática que o distanciamento responsável – incluindo o uso de máscaras e higienização adequada – consiste na melhor das prevenções contra a contaminação.

 

A maioria das prefeituras municipais também tem este entendimento. A constatação é simples: a difusão do vírus ocorre em episódios de aglomeração e falta de proteção facial adequada.

 

O momento de calamidade pública exige que eventos de ajuntamento irresponsável de pessoas seja evitado e até reprimido por meio do poder de polícia, atribuição legal do executivo estadual.

 

As lojas, fábricas e prestadores de serviços que respeitam as regras de distanciamento e higiene não devem ser alvo de sanções de funcionamento.

 

Já foi comprovado, em meados do ano passado, que fechar o setor produtivo não detém o Coronavírus, porém, multiplica o empobrecimento dos gaúchos pelas falências, desemprego e suas decorrências na direção das várias e lamentáveis facetas da miséria humana.

 

Solicitamos, então, a sua grandeza no sentido de recuar de sua decisão equivocada – certamente influenciada pela pressão do atual momento – e devolva aos prefeitos municipais as suas atribuições de moderadores das diretrizes estaduais, de acordo com as necessidades e realidades de cada comunidade gaúcha.

 

Paralelamente ao uso das forças policiais estaduais para evitar aglomerações públicas – e eventuais privadas – e obrigar o uso de máscaras de proteção, sugerimos a Vossa Excelência. a realização de uma intensa campanha de aparelhamento dos hospitais do Rio Grande do Sul com o número de leitos de terapia intensiva necessários para fazer frente à necessidade sanitária atual.

 

Certamente empresas e entidades gaúchas estarão dispostas a colaborar voluntariamente neste sentido.

 

Permanecemos, como sempre, a sua disposição para ajudar nas melhores soluções à felicidade e prosperidade dos gaúchos.

 

Vitor Augusto Koch

Presidente da FCDL-RS

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